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Planilha de precificação para facilities: o que ela precisa ter

Uma planilha de precificação de facilities só serve pra alguma coisa se ela faz cinco coisas: parte da composição de um posto por módulos; puxa todos os parâmetros de uma aba de premissas única e editável; calcula o preço por divisão, não por soma de tributos; mostra na mesma tela o preço-alvo, o piso de sobrevivência e a margem de negociação; e existe em duas versões, a interna detalhada e a do cliente limpa.

Planilha que não faz isso não está te protegendo. Está só deixando o prejuízo mais organizado. Este guia mostra o que uma planilha que funciona precisa ter.

1. Aba de premissas separada

Todos os parâmetros que mudam — salários por função, percentual de encargos por regime, valores de benefícios da CCT, alíquotas de ISS, PIS e COFINS, percentual de reserva técnica, percentual de custos indiretos, margem-alvo — ficam numa aba só.

Quando a Convenção Coletiva reajusta, você muda um lugar e a planilha inteira se atualiza. Planilha com número chumbado dentro das fórmulas é planilha que envelhece em silêncio: continua dando um resultado que parece certo e não é mais.

2. Composição por posto, por módulo

Cada função — auxiliar de limpeza 44h, encarregado, porteiro 12x36 — tem a composição completa nos seis módulos (remuneração, encargos e benefícios, provisão de rescisão, reserva técnica, insumos, custos indiretos e lucro). O contrato é a soma dos postos, mais insumos gerais, mais mobilização.

3. Preço por divisão

Preço = [custo × (1 + custos indiretos % + lucro %)] ÷ (1 − tributos %)

Se a sua planilha faz "custo mais X% de tributos mais Y% de margem" por soma, ela subprecifica todo contrato. Os tributos incidem sobre o preço de venda, não sobre o custo — por isso a conta é uma divisão.

4. Os três números na mesma tela

Preço-alvo, piso de sobrevivência e margem de negociação, visíveis lado a lado. É o que te deixa negociar sabendo até onde pode ir, em vez de ceder por instinto.

5. Travas e alertas

A planilha acende um alerta quando o preço digitado fica abaixo do piso; quando a margem cai abaixo de um mínimo; quando algum módulo está zerado, o que quase sempre é sinal de item esquecido.

As duas planilhas

Interna: os seis módulos abertos, a aba de premissas, os três números, as travas. É a sua ferramenta de decisão.

Do cliente: uma tabela — função, quantidade de postos, valor unitário mensal, valor total mensal, valor global do contrato, condições. Não mostra a sua estrutura de custo. É o que vai anexo à proposta.

Por que a planilha "de graça" quase nunca serve

Ou ela é genérica e não tem os módulos do setor nem a lógica da CCT; ou traz parâmetros de outra época e outra região chumbados; ou faz a conta por soma. Você acaba confiando num número que parece técnico e não é.

Manutenção

  • Toda data-base da CCT: atualizar salários e benefícios na aba de premissas.
  • Toda mudança de alíquota municipal: atualizar o ISS.
  • Uma vez por ano: revisar os percentuais de reserva técnica e absenteísmo com base no que a operação real mostrou.

O erro mais comum

Manter uma planilha por contrato, cada uma com fórmulas ligeiramente diferentes, editada na correria. Vira um cemitério de versões e você não sabe qual está certa. O certo é uma planilha-modelo com premissas parametrizadas, e cada contrato é uma cópia limpa dela.

Perguntas frequentes

Excel ou Google Sheets serve, ou preciso de um sistema?

Planilha bem feita serve pra maioria das empresas de facilities. Sistema faz sentido quando o volume de contratos e a frequência de repactuação passam do que uma pessoa consegue manter na planilha sem erro.

Quantas abas uma planilha interna precisa?

No mínimo três: premissas, composição por posto e resumo do contrato com os três números. Muitas têm também uma aba de simulação de cenários.

Como versiono a planilha quando a CCT muda?

Salve a versão anterior com a data no nome, atualize a aba de premissas na nova, e recalcule os contratos ativos pra ver quais ficaram abaixo do piso e precisam de repactuação.

A planilha do cliente pode ter a composição resumida?

Pode mostrar os grandes blocos — mão de obra, insumos, tributos e margem — se o cliente exigir. Nunca a aba de premissas nem os percentuais de custo indireto e lucro.

Próximo passo

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