Como precificar um contrato de limpeza terceirizada
As 5 camadas de custo, exemplo com posto 44h, piso de sobrevivência e como defender o preço.
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O piso de sobrevivência é o menor valor que você pode cobrar por um contrato sem tirar dinheiro do próprio bolso: o custo total da operação — folha, benefícios, insumos, estrutura, supervisão — mais os tributos que incidem sobre o faturamento, e nenhuma margem de lucro. É o ponto de equilíbrio. Abaixo dele, cada mês do contrato é prejuízo.
Saber esse número antes de sentar com o cliente é o que te dá firmeza pra negociar — e coragem pra dizer não. Este guia mostra como calcular o piso, por que ele é diferente do seu preço, e por que você precisa dele mesmo nos contratos em que nunca vai chegar perto dele.
Preço-alvo: custo mais tributos mais a margem cheia. É o que você quer receber.
Margem de negociação: o intervalo entre o preço-alvo e o piso. É o quanto você pode ceder numa negociação sem sair do lucro.
Piso de sobrevivência: custo mais tributos, margem zero. É o fundo do poço. Abaixo dele, não vai — e ponto.
Quem entra na reunião sabendo os três negocia. Quem entra sabendo só o preço-alvo cede no escuro.
Piso = Custo total ÷ (1 − tributos)
Custo total mensal do contrato: R$ 48.000. Tributos sobre o faturamento: 14,25%.
Na reunião, isso vira: "meu preço é R$ 65 mil, consigo trabalhar até R$ 58 mil num contrato de 24 meses com pagamento em 15 dias, e abaixo de R$ 56 mil eu perco dinheiro — então não fecho."
Não é preço promocional. Não é preço pra ganhar volume. Trabalhar no piso significa a operação inteira daquele contrato rodando de graça: sem retorno pro capital que você imobilizou, sem reserva pra imprevisto, sem folga pra um atraso de pagamento do cliente.
Só faz sentido numa situação muito específica e por tempo curto — por exemplo, ocupar por dois ou três meses uma equipe que você já contratou e está ociosa. E ainda assim, com os olhos abertos pro que isso é.
Porque ele muda a conversa. Sem saber o piso, você cede por instinto: "ah, deixa 5% mais barato pra fechar." Às vezes esse 5% já era prejuízo e você não percebeu.
Sabendo o piso, você responde com número: "consigo chegar em X, abaixo disso não fecho, e te explico exatamente por quê." Isso é autoridade. Não é teimosia — é ter feito a conta.
O piso sobe a cada data-base da Convenção Coletiva. Um contrato fechado hoje 3% acima do piso pode estar abaixo do piso depois do próximo dissídio, se não houver repactuação. Por isso o piso não é algo que você calcula uma vez e guarda: é um número que você revisa a cada ciclo.
Confundir piso de sobrevivência com "meu custo". O custo não inclui os tributos sobre o faturamento. Quem cota "custo mais 10%" achando que tem 10% de margem, quando os tributos comem 14% do faturamento, está fechando 4% abaixo do piso — e vai operar no vermelho o contrato inteiro.
Se eu nunca vou cobrar o piso, pra que calcular?
Porque ele define o seu limite. Negociação sem limite conhecido é rendição — você cede até o cliente parar de pedir, não até onde faz sentido.
Qual margem devo usar no preço-alvo?
Depende do porte, do risco do cliente (histórico de pagamento, nível de exigência de SLA) e do prazo. A faixa comum é 8% a 15%. Contrato de risco alto pede margem maior, não menor.
Posso trabalhar no piso pra entrar num cliente grande e subir depois?
Quase nunca funciona. O preço de entrada vira a referência do cliente, e puxar a repactuação pra cima é sempre mais difícil do que ter segurado o preço certo desde o começo.
O piso considera o custo do dinheiro?
Deveria. Se o cliente paga em 45 dias e você paga a folha em 5, esse capital de giro tem custo. Um piso bem feito inclui o custo financeiro do prazo.
Próximo passo
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